Daybreakers, Irmãos Spierig, 2009

É tão boa a sensação de ver algo quebrando um molde torto. Mesmo que não seja genial, mesmo que não seja inédito, aquela obra que quebra uma sequência de tendências enfadonhas sempre me dá aquele gostinho de rebeldia, de ir contra ao que é conveniente. E quando se trata de terror, isso me deixa ainda mais feliz – nada me deixa mais profundamente triste que ver a lenda do vampiro sendo usada como um receptáculo para historias rasas e sentimentais. 

Os Irmaos Spierig ja tem pontos comigo desde o primeiro filme deles, o quase sem pé nem cabeça, mas absurdamente divertido, “Canibais”. Aquela verve hiperativa, que muito tem a ver com o Peter Jackson e o Sam Raimi de outrora, se encontra também em Daybreakers; uma sacada muito boa, e que entra em contraste gritante com a suposta elegância do futuro distópico no qual a humanidade se transformou em vampiros quase por completo.

O triunfo no filme esta justamente em oferecer uma historia sem maiores frescuras, sem deformar o básico do que já conhecemos das historias sobre os chupadores de sangue com o intuito de arrancar dinheiro de pré-adolescentes ensandecidas (e para nosso pavor, as vezes não tão “pré-adolescentes” assim), e mesmo assim oferecer algo que soa original. 

A estrutura do filme em si e bem básica, e o roteiro não e nem um pouco espetacular (embora contenha boas ideias, como o que acontece com os vampiros quando deixam de se alimentar, e a revelação da cura do vampirismo). Mas o filme e curto e fluido o bastante pra não incomodar, deixando gravado na minha mente a sensação de frescor que o enredo causa e os momentos de gore, que são todos bem bacanas, com o direito a uma mutilação completa no final feita com efeitos tradicionais. Alias, todos os efeitos do filme são muito bons considerando os 30 milhões que foram usados, uma merreca para um filme desse porte.

Daybreakers não veio para revolucionar nada, mas apenas para nos lembrar que vampiros não seduzem fazendo biquinho, e  não brilham no sol. Ao menos não por muito tempo.

Vampiro. Entendem?

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