Desejo De Matar (Death Wish), 1974, Michael Winner

No momento em que vi que “Death Wish” tinha 89 minutos, eu já percebi que o filme não estaria pra brincadeira. Vejam bem, existem grandes obras primas do cinema com 2h e pouco, 3h de duração, mas o “grosso” do que há de melhor, geralmente, possui por volta de 90 minutos. É só conferir a maior parte da filmografia de Woody Allen e Ingmar Bergman para entender do que eu estou falando.

É essa estócidade que permite que Desejo De Matar seja o grande filme que é: não há espaço pra frescuras aqui. Não existem histórias paralelas para encher linguiça; não há maiores debates sobre a moralidade do que o protagonista faz. É simplesmente, duramente, e sem piedade, um filme de vingança, e um dos melhores já feitos.

Isso não quer dizer, de forma alguma, que o filme seja uni-dimensional ou vazio. É verdade que só há espaço para o desenvolvimento do personagem de Bronson, e alguns podem reclamar que os bandidos são pintados como “bobos e malvados”. Claro que na vida real não temos tambem tempo de conhece-los enquanto estamos sobre a mira de suas armas ou sentindo o fisgar pontiagudo de uma lâmina contra as costas, o que condiz com o ponto de vista passado no filme.

A cena de estupro incial é relativamente brutal (mesmo com a desinsetização quanto a violencia, pela qual todos nós estamos gradualmente passando) , e retrata bem a invasão da violência naquela epoca pós “bichos grilos”. Informação que fica bem clara, inclusive, na relação entre o protagonista e o genro, o primeiro um ex-combate da guerra da Coréia, enquanto o outro provavelmente é fruto da educação esfumaçada. Personagem este do genro, inclusive, bastante irritante, mas acho que é mais para causar o conflito já citado.

Por fim, é bem interessante como o filme acaba, já que durante esta primeira vez que assisti, me encontrei imaginando daonde viriam as sequencias. É criado um “serial killer do bem”, décadas antes do tal do Dexter, mas infinitamente mais relacionavel e humano. E nada melhor que os olhos tristes de Charles Bronson para representar a catarse do ser humano médio, queimando em ódio e impotência.

Seguinte vagabundo: teu drink vem com azeitona e Charles Bronson é o garçom.

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