The Good, The Bad, The Weird (Joheunnom Nabbeunnom Isanghannom), Ji-woon Kim, 2008

Eu odeio remakes. Isso é, remakes que seguem exatamente o que o filme original fez, mudando uma coisinha aqui e lá para tentar justificar a própria existência, tentando nos fazer pensar que existem por algum motivo a mais que não seja capitalizar em um nome cultuado. Não me lembro de nenhum remake que eu tenha gostado, até hoje. Porem, quando há uma re-imaginação da obra, a figura muda. Um dos filmes favoritos, “The Thing”, de John Carpenter, por exemplo, é uma re-intepretação do conto do qual um um filme semelhante tirou inspiração, “The Thing From Another World”, nos anos 50.

Algo parecido acontece com “The Good, The Bad, The Weird”, filme sul-coreano que presta uma homenagem ao clássico de Sérgio Leone, “roubando” o mote inicial, mas desenvolvendo-o de forma diferente.

Uma das qualidades do filme é a de tomar posse da absurda técnica cinematográfica do cinema sul-coreano atual. As cenas de ação estão entre as melhores que já vi na vida, insanamente coreografadas e o trabalho de camera é cirurgicamente perfeito, o que me deixa imaginando o trabalho homérico que foi gravar alguns planos sequencias, como o que acontece numa cidade logo após “Weird” conseguir o mapa. Porém, parece que a camera hiperativa não consegue se aquietar nos momentos nos quais deve, fazendo closes e giros irritantes durante algumas cenas de diálogo.

O Bom (você não é o Blondie)…

Falando no “Weird”, personagem encarnado pelo ator Kang-ho Song, rosto já conhecido por quem assistiu “The Host”, “Memories Of Murder”, “Sympathy For Mr Vengeance” e “JSA”, o filme é claramente apoiado nele, diferentemente do original que era bem dividido entre os 3 personagens. Todo o humor do filme é focado neste personagem, e ao menos funciona (provavelmente dei umas 10 gargalhadas durante o filme, o que é no minimo dez vezes mais do que rio nas comédias atuais). Aliás, isto é algo que admiro muito no cinema oriental em geral, a capacidade de incluir um humor muitas vezes digno do termo “pastelão” sem faze-lo parecer demasiadamente bobo ou fora de lugar.

… O Mau (ou ele tenta parecer)…

Os problemas surgem quando pensamos nos outros dois co-protagonistas. Como já dito, no filme que serviu de inspiração, existe um bom espaço para os três personagens, não necessáriamente com o mesmo tempo em tela, mas são equilibrados em exposição de motivos. Aqui o ator que faz o “Good” tenta fazer a melhor pose de Clint Eastwood que ele consegue (mas não funciona) e “Bad” parece que saiu de algum grupo kei japonês. Não chegamos a conhecer nenhum dos personagens propriamente, já que o roteiro se importa mais em despejar cenas de ação (absolutamente fantásticas, devo reafirmar) e se esquece de desenvolver pelo menos algum deles, para haver pelo menos um “norte” para o espectador, que num filme destes supostamente deveria se preocupar com os peões que percorrem o tabuleiro.

…O Estranho (e feio)…

A história é atropelada demais para oferecer qualquer gancho satisfatório para fisgar nossa atenção, e eu, com uma hora de filme, já não me importava mais com o que acontecia ou com os personagens. Não há nenhuma tirada esperta fora as peripécias e as pirotecnias, e isso diminiu o valor do filme consideravelmente, deixando aquela impressão de que a obra poderia ser uma memoravel brincadeira com o western italiano, mas não houve essa preocupação, sentimento que percebo tambem no “Sukyiaki Western Django” do diretor Takashi Miike, embora este ultimo seja muito mais porra-louca e memoravel.

E um dos momentos antologicos do original, o “trielo” final, perde qualquer significado, se tornando uma cena vazia e sem impacto. Uma pena.

… e A Vovó (porra, ele merecia espaço no título).

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