Fazia tempo que eu me enrolava para conhecer o cinema de Buster Keaton, artista que muito vejo sendo comparado com Chaplin. E não é pra menos. Keaton fazia cenas perigosissimas, como as que vemos em “O General”, fazendo palhaçada dentro de um trem em movimento, numa epoca na qual, imagino, as precauções fossem minimas.
O filme tem uma estrutura bem simples, consiste numa viagem de trem de ida, uma parada num ponto de virada da trama, e depois o retorno pelo mesmo caminho. Mesmo sendo um filme muito simples, Keaton e Bruckman conseguem construir uma sequencia relativamente complexa de gags envolvendo o trajeto do trem, enormemente criativas. Obviamente, por se tratar de um filme calcado na ação na epoca do cinema mudo, ele tem um certo problema de ritmo, mas que não chega a deixar o filme cansativo, pois ele é curto, na realidade até um pouco mais longo que o normal para os filmes de epoca, mas ainda assim no tempo certo para não cansar. Destaco tambem a trilha sonora, que não sei se é a mesma utilizada na epoca do lançamento (imagino que não), que tinha temas excelentes que se repetiam em momentos especificos.

Uma coisa que me impressionou foi a consistencia do filme. Tendo em conta que dos 75 minutos do filme, uns 60 são de perseguição, eu esperava um bom numero de erros de continuação e algumas cenas sem pé nem cabeça, mas a obra não faz feio pra nenhum filme de ação hoje em dia, sendo bem feito em todos os sentidos, com a energia disposta por Keaton vibrando em cada sequencia.
Fico curioso agora para conhecer mais do cinema deste grande artesão de piadas fisicas, cuja fama ficou um tanto ofuscada pelo adoravel vagabundo, mas não esquecida. 